vinhos

O bar de vinhos do James Murphy, do LCD Soundsystem

Como o vinho virou a cabeça do músico da cabeça virada 

Robert Halfoun
Curador


James Murphy, o cabeça do LCD Soundsystem, é um dos gênios do pop e disso não há dúvida. Há quem diga que a banda criada por ele é como se fossem duas em uma: aquela na qual Murphy pira e nos leva a lugares inimagináveis e a outra com todos os integrantes juntos transformando música numa massa sonora poderosa e sacudidora de corpos.

O Four Horsemen está entre os melhores winebars de NY. Ele é um lugar moderno, despretensioso e agradável


Desde que o álbum American Dream saiu em 2017 e, depois, quando foi tocado “ao vivo” no Electric Lady Studios, o templo de Jimi Hendrix, em NovaYork, ninguém entendeu nada quando Murphy e sua patota anunciaram um hiato que só foi interrompido recentemente com o lançamento da música “New body rhumba”, para a trilha sonora do filme White Noise (Netflix).


Disco novo? Nem sinal. Por onde anda James Murphy? O que ele está ouvindo? Também não sabe.

A adega conta com mais de 200 rótulos bio e naturais, grande parte deles escolhidos com a curadoria de James Murphy

O que sabemos é o que ele vem... bebendo! As escolhas estão todas no seu bar de vinhos, o Four Horsemen, no descoladíssimo bairro de Williamsburg, no Brooklin, em Nova York. Lá, a adega conta com mais de 200 rótulos bio e naturais, grande parte deles escolhidos com a curadoria de James Murphy.


Já faz algum tempo, o músico é um resiliente adorador de vinhos. Resiliente porque, apesar dos duros dias de pandemia em 2021, ele manteve o seu bar-restaurante dedicado a bebida firme e forte. Criou até uma área externa para manter a clientela por ali.


A ideia do James Murphy, declarou ao abrir a casa em 2015, era ter um lugar “para fazer uns brindes e reunir os amigos”

A ideia dele, declarou ao abrir a casa em 2015, era ter um lugar “para fazer uns brindes e reunir os amigos”. Conseguiu mais do que isso. O The Four Horsemen está entre os melhores winebars de NY. Ele é um lugar moderno, despretensioso e agradável, com madeira clara pelas paredes. Elas deixam o ambiente aconchegante mas tem um fim todo especial, pensado por Murphy: tratamento acústico. A gente não vê, mas a casa poderia ser um estúdio onde o som flui naturalmente, como um bom vinho que circula pela boca. “Você pode ter o melhor equipamento do mundo. Se a acústica for ruim, o resultado será uma merda. E pode ter um aparelho de US$ 20. Se acústica é boa, ele vai soar como o melhor equipamento do mundo.”

Aqui tem pratos leves e criativos como a dourada com cogumelos hon shimeji e alho verde

No The Four Horsemen, o músico conta com um sistema vintage McIntosh C28 Stereophonic Preamplifier que toca álbuns inteiros de artistas como Van Morrison e The Monks, coisa rara de se ver por aí. Murphy é um sujeito atrevido, como a música que ele faz. E gosta de frases fortes. Em entrevista ao The New York Times revelou que sempre foi um adorador de cervejas e bourbon. Até que tomou o Frank Cornelissen MunJebel Bianco No. 3, um branco natural, da região do Etna, na Itália e “a experiência mudou a sua vida”. “Foi incrível e muito mais radical do que o que eu esperava”, disse.


Também fica surpreso quem prova o cardápio do Four Horsemen. Aqui se serve pratos modernos nos quais há um grande investimento nos ingredientes sazonais e frescos – coisa fina. Com valorização dos grãos, molhos leves e combinações bem criativas.

The Four Horsemen – 295 Grand St., Brooklyn – NY

O laranja italiano que sacudiu o líder do LCD

Frank Cornelissen MunJebel Bianco é um vinho com 60% Grecanico e 40% Carricante, duas uvas típicas do nordeste do vale do Etna, na Sicília, feito pelo italiano que batiza a sua vinícola. Ele é um ex-alpinista com pensamento natural-radical, que ficou famoso ao produzir as suas bebidas com a “mínima interveção possível”. O branco que sacudiu James Murphy, tem muito volume de boca e a mineralidade típica do terroir onde é feito. A cor alaranjada é fruto da fermentação feita com as cascas em contato com o líquido.